domingo, janeiro 16, 2011

Visita

Quanta raiva desperdiçada nas valas comuns
Marcas de passos na calçada
A chuva continua a cair, criando trilhas sinistras
O verme rasteja pela face de Gaia
Criando caminhos ilusórios para a criança perdida
Por onde caminhas, pequeno ser?
Quem te deixou aqui?
Tens os olhos marcados pelos anos que vens trilhando
Este Inferno de Dante
Trazes contigo a dor daqueles que te pisaram durante tua jornada
Levas contigo a dor daqueles que viram tua sombra passar
De qualquer forma, seja bem-vindo ser etéreo
Vamos aproveitar que o sol está queimando nossas retinas
E dar mais um passo rumo à densa noite
Caminharemos juntos rumo ao fim da clareira
Onde, sei, continuarás tua caminhada ao vazio
E eu retornarei ao ponto onde novamente te encontrarei
Neste eterno ciclo chamado CAOS
Gostou?

sexta-feira, janeiro 14, 2011

A praia

Apenas mais uma tormenta em meio ao oceano raivoso.

Tentáculos tentam arrancar os olhos daqueles que ousam olhar para a fera ensandecida.

Os dedos dormentes tentam inutilmente segurar o som borbulhante vindo da rosa que nasceu sobre a pedra. Nada a detém. Nem mesmo a fúria das ondas lacrimais que queimam os olhos já cegos.

A respiração pesada marca o compasso na areia. A sombra indica a direção. Está rachando! A rocha está rachando.... a rosa finalmente vai morrer.

Mas da rachadura surge um novo braço que se estica em direção ao abismo do céu. Inútil tentativa. Lá não é seu lugar.

Recua. Treme. Esmaga o que restou da rosa. Mais líquido vermelho.

Silêncio. Uma sombra se levanta trêmula como uma luz de vela. Ela está lá. Ela está rindo do desesperado. A rosa sobreviveu. Seus espinhos estão maiores.

Seus olhos são um mortífero convite para uma último abraço.

O coração desacelera... a vista fica turva... já não há mais nada... era apenas uma miragem.

Um filete de sangue vermelho escorre de um pequeno corte no braço.
Gostou?

Apenas mais uma parede

Estranho, este silêncio em meio à balbúrdia... estranho e acolhedor.

Se fecho os olhos, vejo o caos na escuridão. Se tampo meus ouvidos, ouço os gritos dos que não conseguiram atravessar.

O cheiro inebriante das vozes atavessa minhas retinas, terminando em um soluço no fundo do nada.

Deep Forest... Deep Ocean... Deep Sadness... Escura.... Escuro... Agonizante...

De onde? Porque? Dedos que apontam. Mãos que recuam. Dentes expostos em uma carranca ameríndia. Globos vazios fitando o espelho. Esperando. Espreitando.

A raiva à tona. Transbordando. Sufocando. Afogando. Não restam mais nuvens sob os pés. O chão é duro.

E a queda será fatal.
Gostou?
Será Petróleo?